2 – O ESPORTE COMO CONTEÚDO PEDAGÓGICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

O ESPORTE COMO CONTEÚDO PEDAGÓGICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

 

MADEIRA, Adilson S.

Coordenador de Educação Física e Esporte

Colégio Objetivo Campinas

 

I – INTRODUÇÃO

O esporte tem sido reverenciado por diferentes segmentos midiáticos, sendo uma manifestação de destaque, que geralmente reverencia para a Educação Física Escolar, a atenção para essas práticas, como conteúdo a serem refletidos no universo escolar.

O apelo tem sido evidenciado principalmente quando acontecem os principais eventos esportivos; como a copa do mundo, em suas modalidades esportivas, principalmente a Olimpíada, evento que consegue congregar uma dimensão dessas práticas pelas diferentes modalidades existentes.

Construindo a relação com cenários (PAES, 2001) percebe-se o meio ao qual se desenvolve o esporte, buscando interpretar o ambiente em conformidade com as necessidades, respeitando as possibilidades de desenvolvimento do esporte plural no universo da pedagogia escolar e do esporte do nível de competição das federações, em conformidade aos interesses mercadológicos.

Nessa relação de conteúdo, esporte e cultura popular, existem dois cenários bem distintos, sendo que o primeiro retrata a possibilidade de desenvolver as práticas esportivas no universo da escola e o segundo é o desenvolvimento do esporte de representação no nível das federações, que geralmente aguça o poder e o fascínio do mercado profissional esportivo.

II – CENÁRIO ESCOLA

O conteúdo esporte, pode muito bem contribuir com uma concepção pedagógica, possibilitando o desenvolvimento do humano com base na construção das relações, pessoais e sociais, ao beneficiar os mesmos com uma prática que favoreça:

- a sociabilização dos alunos;

- o respeito as diferentes regras que norteia o esporte;

- a vivência do trabalho em grupo;

- o desenvolvimento físico, psíquico e motor;

Levando-se em conta:

- a individualidade biológica;

- o princípio da diversidade;

- a riqueza conteudista das áreas que compreendem o seu universo;

- vivência com os diferentes níveis emocionais;

- o caráter social e político do esporte no mundo contemporâneo.

Nesse sentido, ao compararmos o desenvolvimento do esporte na escola (ensino formal) com as instituições de ensino não formal (clubes, academias, centros de treinamento, etc.), compreendemos a existência de um mundo mercadológico, que se torna negócio de empreendimento, entretanto, no universo escolar a sua relação deve ser totalmente pedagógica no sentido de criar novos horizontes. O esporte chega à escola para se adequar às possibilidades do aluno, criando ações pedagógicas capazes de favorecer às possíveis dificuldades com as regras, materiais, espaços e as técnicas complexas do universo esportivo.  O seu emprego não deve ser entendido como na vertente do ensino informal, onde o aluno é que se adapta as características do esporte de rendimento, com suas regras federativas, gestos e cargas de trabalhos específicos em busca dos melhores resultados.

A escola, enquanto instituição de ensino formal, não pode reproduzir o mesmo trabalho das instituições de ensino informal, ignorando as abordagens da Educação Física Escolar, enquanto área de aplicação do conhecimento, vide quadro abaixo, que norteia as suas práticas embasadas nas tendências pedagógicas: Desenvolvimentista, Crítica Emancipatória, Crítica Superadora, Sistêmica, Humanística, Fenomenológica (Corporeidade), Psicomotricidade, PCNs e a Cultura Corporal, dentre outras.

O emprego do esporte no universo escolar é uma seqüência processual decorrente das vivências proporcionadas pelo jogo vivido em sua essência, refletida pela naturalidade do hábito infantil de brincar pelo prazer (FREIRE, 2003).

Como conhecimento norteador na inclusão do conteúdo esporte nas práticas, (GALLAHUE,2003) as fases do desenvolvimento motor e cognitivo, demandam características importantes na consolidação do entendimento deste conteúdo, como referencial no balizamento do esporte pedagógico.

Interpretando as fases do desenvolvimento motor, GALLAHUE, 2003, a fases apresentam características em diferentes níveis de habilidades e competências. É preciso considerar, na intervenção, que nos movimentos reflexivos aos rudimentares, encontramos uma faixa etária entre 0 a 6 anos. Nesse período do desenvolvimento, as crianças precisam ser estimuladas com a utilização de elementos (objetos) de: tamanhos variados; cores distintas; músicas; cânticos; espaços alternativos e o fascínio com o encantamento do mundo imaginário da fantasia. Aproveitando sempre a capacidade de estimular a criatividade da criança com novos jogos e brincadeiras distintas.

Quando a criança atinge a faixa etária de 7 a 10 anos, passamos a compreender o repertório de atividades já vivenciados, nesse período, o jogo ser transforma num elemento possível, aproveitando a manifestação das diferentes áreas culturais, entre elas: o folclore; os jogos com seu grau de complexidade); pré-desportivos; a dança entre outros, como forma de prosseguir no desenvolvimento das capacidades e habilidades básicas.

Ao interpretar as duas fases, a criança não possui uma estrutura cerebral totalmente desenvolvida, ver quadro, a ponto de compreender a subjetividade do esporte, principalmente quando lidamos com a abstração das ações mais complexas, elas demonstram dificuldades no entendimento dessas relações, entretanto, ela começa a interpretar essa leitura, basicamente ao final da fase. Esse quadro começa a se transformar a partir dos 11 anos, onde as ações abstratas e concretas se evidenciam com o desenvolver da estrutura cerebral. A partir desse momento, o esporte é empregado como conteúdo, respeitando sempre a fase e as diferentes necessidades didáticas pedagógicas.

Todavia esse esporte precisa de um desenvolvimento processual, valorizando e estimulando o sentido de participação e emprego dos seus diferentes movimentos, não é simplesmente trazer para esse universo, as técnicas acabadas e prontas, desenvolvidas pelo modelo mercadológico, ela pode sim adaptar as regras contidas no esporte para a condição possível.

 

Com base nesse quadro desenvolvimentista, GALLAHUE 2003, encontramos o modelo mais clássico da chamada janela das oportunidades, momento em que existe uma maior propensão para se absorver o conhecimento, respeitando as características psíquicas e motoras de cada fase, sem queimar ou comprometer o desenvolvimento de maneira precoce.

Entende-se que todo processo, perpassa o olhar profissional, respeitando de maneira heterogenia a diversidade ao qual o humano se abstrai.

 

 

III – CENÁRIO MERCADOLÓGICO

O seu esporte retrata a necessidade da produção em massa, isso se chama negócio (business) muitas das vezes, não respeitando as dificuldades da aprendizagem, ela impõe a obrigação de ter que superar os obstáculos em razão do dinheiro e da necessidade de vencer a todo custo.

Os praticantes são atletas, diferente de aluno, que geralmente são profissionais remuneradas que desempenham os seus gestos e movimentos, como forma de produzir resultados a que devem se submeter, face às metas da empresa.

Neste cenário as regras são oficializadas de acordo com as confederações e instituições que regem as modalidades esportivas no nível mundial. Dessa forma, o número de participantes, o tempo e o biótipo, ditam as qualidades necessárias dos atletas que vão participar destes eventos, excluindo do processo todo e qualquer padrão de comportamento e de corpo, que não se enquadra nessa razão do esporte espetáculo.

Compreende-se neste olhar, que às questões mercadológicas se tornam intrínsecas, neste mundo onde a economia é quem determina o poder de compra. Nessa ótica, esse segmento vem se constituindo em grande oportunidade de trabalho, trazendo diferentes possibilidades, direta e indiretamente ligadas ao esporte.

Este cenário reflete a realidade sistêmica de um mundo que para sobreviver é preciso desempenhar bem o que se propõe. Não se pode culpar o esporte é preciso compreender esse sistema que absorve uma necessidade de sobrevida a cada momento, em razão de sua própria existência.

IV – O ESPORTE

No universo da academia a discussão se prolonga por diferentes vertentes refletindo o esporte, entretanto, observo que os discursos e pesquisas científicas, na maioria das vezes quando retratam a prática esportiva na escola, generalizam constantemente uma prática esportivisada desenvolvida neste universo. Essa é uma questão da inversão dos papéis, no que diz respeito ao cenário, e pela própria formação profissional, que não abarcou a contento o discurso da pedagogia do esporte, desenvolvido no universo escolar (MADEIRA, 2005).

Refletir o esporte totalitário é sempre uma oportunidade ímpar em estimular o desenvolvimento do senso crítico, oportunizando um olhar pela diferença que se estabelece no meio. A exclusão é uma demanda evidenciada constantemente, entretanto é uma oportunidade ímpar para se construir uma reflexão sobre a condição, proporcionando interpretar os fatos de modo construtivo e não depreciativo de maneira simplista pela criticidade apenas.

É preciso compreender que o esporte viabiliza uma gama de possibilidades e não se pode confundir ou culpar o esporte pela exclusão ou pela imparcialidade com as regras vigentes. Precisa-se capacitar e atualizar os novos profissionais, em razão das competências e habilidades necessárias para desenvolver o conteúdo esporte, no cenário adequado, respeitando a sua dimensão e o universo do fenômeno humano.

PROF. ADILSON MADEIRA

COORDENADOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA E ESPORTES

COLÉGIO OBJETIVO CAMPINAS

BIBLIOGRAFIA

1 – FREIRE. J.B.; SCAGLIA, A.J. Educação como Prática Corporal. São Paulo: Scipione, 2003.

2 – GALLAHUE, D.L.; OZMUN, J. C. Compreendendo o Desenvolvimento Motor – Bebês, Crianças, Adolescentes e Adultos. São Paulo: Phorte, 2003.

2 – MADEIRA, A. S., BRATIFISCHE, S. Esportes: Uma Proposta de Projeto de Extensão na Academia de Ensino Superior de Sorocaba In: Congresso Internacional de Pedagogia do Esporte, 2005, Maringá. Anais do Congresso Internacional de Pedagogia do Esporte. , 2005. P.161 – 161. Áreas do conhecimento: Pedagogia do Movimento.

3 – PAES, R.R. Educação Física Escolar: O esporte como conteúdo pedagógico do ensino fundamental. Tese (doutorado). Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2001.

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